As estatísticas mostram que a violência em Mato Grosso do Sul cresceu espantosos 30% nos últimos dois anos. Isso representa dois assassinatos por dia, conforme analise comparativa entre os dois primeiros meses do ano (janeiro e fevereiro), referentes aos últimos três anos (2013, 2014 e 2015).

Segundo dados da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) do dia 01 de janeiro até hoje, 10 de fevereiro de 2013, 65 casos de homicídios, na forma dolosa, foram registrados em Mato Grosso do Sul.

Em 2014, o número saltou para 71 casos no mesmo período. E em 2015, o número cresceu para 88 casos. Um aumento gradativo de 19,7% em comparação com o ano passado e 30% em relação aos dois últimos anos (41 dias). Somente na Capital já foram registrados 13 casos de homicídios este ano.

O titular da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), Weber Luciano de Medeiros, acredita que o aumento no número de casos é decorrente, em sua maioria, do consumo excessivo de álcool entre outras drogas, bem como, praticados de forma passional, por impulso.

“Infelizmente esses números são reflexos da instabilidade vivida na sociedade. Hoje o sujeito mata o outro por qualquer coisa. E também muitas vezes esses crimes são praticados de forma não pensada. O que podemos notar é que houve uma diminuição nos crimes premeditados, mas a pessoa acaba cometendo o crime no impulso, por conta de um desacerto ou algo semelhante. E o que mais preocupa é a banalização de tais crimes”, a exemplo do jovem Franklin Willyan, 24 anos, encontrado morto nos fundos do campo de futebol da Associação Adventista na manhã de segunda-feira (9). Ele teria se desentendido com o autor do crime por causa de uma partida de futebol transmitida na televisão.

“Novamente eu digo que é uma coisa que temos que lamentar. Porque essas discussões sempre existiram e sempre irão existir, mas é além de tudo uma questão cultural. Esse aumento da violência é um problema que não é só nosso, do Mato Grosso do Sul, é um problema global”, ponderou.

Já o titular da 7ª DP (Sétima Delegacia de Polícia de Campo Grande), Geraldo Marim Barbosa, acredita que grande parte dos crimes ocorrem pela dificuldade de se prever ou se impedir que aconteça.

“Muitas vezes esses crimes ocorrem por impulso, mas não quer dizer que não sejam premeditados. Porém, são crimes que não tem como a gente combater de uma forma preventiva direta”, concluiu.
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