A recente troca de comando por decisão da executiva nacional, reeditou uma forte crise no PDT de Mato Grosso do Sul a ponto de ameaçar o partido a ficar sem representatividade na Assembleia Legislativa.

O clima parecia estar aparentemente tranquilo até o deputado federal Dagoberto Nogueira reassumir o controle do partido no Estado a mando do presidente da executiva nacional, ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT-RJ).

Em meados de fevereiro de 2013, Dagoberto, ainda sem mandato, resolveu transmitir o comando partidário ao deputado estadual Felipe Orro, que de lá para cá navegou em águas tranquilas, levando o grupo político é eleger três deputados estaduais em 2014.

Além do próprio Orro, que foi reeleito para o segundo mandato, integram a bancada pedetista na Assembleia os deputados Beto Pereira, líder na Casa, e George Takimoto.

Com o retorno de Dagoberto, agora com mandato, o clima ficou tenso nos quadros da legenda como consequência de fortes divergências.

É que uma corrente do partido não aceita o que chama de imposição a decisão dos caciques nacionais de indicarem o deputado para voltar a dirigir o PDT durante uma eleição interna considerada ilegítima.

Por causa disso, os brizolistas rebeldes pressionam Lupi na tentativa de reverter sua posição. Beto Pereira e Felipe Orro não descartam a possibilidade de mudar de legenda aproveitando-se da chamada janela política, pela qual os detentores de mandato podem trocar de partido sem correr o risco de perder o cargo.

“Liguei para ele e disse que não houve acordo, o presidente disse que mesmo após a eleição no Estado, a direção nacional tem cinco dias para homologar. Espero seu retorno”, revelou Beto Pereira, em entrevista na Assembleia, na semana passada.

Particularmente, Beto Pereira acha que a eleição não teve legitimidade. Já enviamos uma carta solicitando interferência no processo”, informou o deputado, referindo-se a direção nacional.

Ele alega que, apesar de Dagoberto ter recebido 68 votos dos convencionais, mais de 20 suplentes que votaram na eleição eram ligados ao deputado federal.

Igualmente descontente, Felipe Orro tem pensamento semelhante. “Não tem como formar um partido desta forma, apenas para favorecer interesses de uma pessoa, ele já disse até que nomearia uma comissão provisória em Campo Grande, para estar no comando, temos que buscar unidade e não o contrário”, reagiu.

Polêmica

Os deputados estaduais classificam como polêmica a passagem do correligionário pela direção estadual, lembrando a calmaria no grupo quando a função era exercida pelo ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, João Leite Schmidt.

Dagoberto também coleciona críticas de correligionários por causa de sua péssima exposição na mídia devido a ações judiciais que enfrentou como diretor do Detran-MS e outros cargos públicos.

Por conta disso, o perfil do político ganhou inclusive um artigo esta semana intitulado “Dagô, o aventureiro mor que não aceita concorrência”, escrito pelo jornalista e ex-deputado estadual e ex-prefeito de Campo Grande, Valdir Cardoso.

No texto, Cardoso atesta que o deputado levou vantagens em suas passagens por órgãos públicos.

O progresso