Apesar de negar participação no suposto esquema que teria desviado R$ 700 milhões na operação da Enersul, a Energisa deve ser responsabilizada pela gestão da concessionária de energia elétrica em Mato Grosso do Sul. A informação é do deputado estadual Marcos Trad Filho (PMDB), que aguarda a oficialização de uma CPI para investigar o papel do grupo empresarial, que também também é alvo de investigações na Paraíba.

Marquinhos Trad rechaçou a informação da Energisa de que não teria conhecimento dos desvios e de que não participou do suposto ‘mensalão’ que teria beneficiado 35 pessoas, entre firmas e apadrinhados políticos, para acobertar problemas em relatórios financeiros. A suposta fraude consta de relatório produzido pela PWC (Pricewaterhouse Coopers) com auditoria nas contas do período em que a Energisa geriu a Enersul, comprada do Grupo Rede em 2013.

Em recente nota enviada à imprensa a Energisa garantiu que os ‘fatos apontados no relatório da PWC, não dizem respeito à atual administração’. No entanto, para provar que a empresa consentia com as irregularidades, um ex-funcionário da empresa, um deputado e também uma vereadora, todos da Paraíba, devem ser convocados para oitiva na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Enersul, em Campo Grande.

“Ela quando comprou a Enersul fez uma pesquisa antes, nada foi feito no escuro e ela viu que a Enersul era atrativa e viável. Esta explicação é tão idiota, até num matrimônio, que é privado, quando eles decidem se separar eles têm que dividir o patrimônio ativo e passivo. Agora imagina uma concessionária de serviço publico delegado. A empresa já enganou na Paraíba, onde há inquérito aberto” declarou.

De acordo com o parlamentar, a concessionária aplicava um golpe conhecido como “Fio Preto” nos consumidores paraibanos. Segundo informações da Câmara Municipal de João Pessoa, o fato ganhou dimensão em 2013. A empresa foi denunciada por estimular funcionários a fazerem com que os consumidores trocassem medidores de energia analógicos pelos digitais, onde nessa transição, era colocado um frio preto para desviar energia elétrica.

À época, a Casa de Leis paraibana chegou a realizar sessão especial para debater o assunto, tendo em vista que inúmeras pessoas reclamavam de dívidas junto à empresa pelo suposto gato.

Marquinhos Trad antecipou ainda que auditores da PWC também devem ser acionados para participarem de oitivas. Segundo o deputado, a PWC foi a mesma empresa que auditou a estatal Petrobras por conta dos rombos causados pela corrupção investigada na Operação Lava-Jato. Com a abertura da CPI, A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul investigará as supostas irregularidades e revelar quem são os envolvidos que aparecem em uma “folha confidencial” como possíveis beneficiários do esquema.

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