As investigações sobre o homicídio de um jornalista paraguaio em Ponta Porã, a 326 km de Campo Grande, tiveram reforço da polícia do Paraguai nesta sexta-feira (6), segundo informou o delegado Patrick Linares, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil da cidade.

O crime aconteceu na fronteira do Brasil com o Paraguai na quinta-feira (5). Ao G1, Linares disse que as duas polícias estão trabalhando em conjunto em busca de pistas sobre os suspeitos do crime. Ninguém foi preso até o momento.

“Estamos juntando forças e trocando informações, principalmente em razão da vítima ser paraguaia e de ter morado até um pouco atrás no país vizinho, e também porque crime foi praticado de forma parecida de outras execuções em que os autores correram para o Paraguai”, explicou Linares.

Ainda segundo o delegado, uma das principais dificuldades da investigação é conseguir informações sobre o crime porque as pessoas têm medo de denunciar.

“O problema é que pela cultura do local as pessoas têm muito medo de falar com a polícia e isso dificulta bastante nosso trabalho. Uma coisa é a gente saber como aconteceu, outra coisa é provar isso juridicamente para gerar denúncia e condenação criminal”, afirmou.

Execução
O jornalista paraguaio de 44 anos foi morto a tiros na tarde desta quinta-feira (5), na rua João Gualberto Cabral esquina com a rua Afonso Pena, no bairro da Granja, por volta das 14h30 (de MS). A vítima estava em uma motocicleta quando foi atingida pelos disparos.

Segundo a Polícia Civil, a vítima trabalhava como locutor em um programa de rádio de uma emissora paraguaia. Conforme Linares, a princípio, o crime teria sido praticado por dois homens em uma motocicleta.

Imagens das câmeras de segurança próximo ao local da morte estão sendo analisadas pela polícia e devem permanecer em sigilo para não prejudicar as investigações.

No local do crime, de acordo com o delegado, foram apreendidos cápsulas de arma de fogo que se assemelham às de pistola de calibre de nove milímetros, mas só a perícia poderá confirmar qual arma foi usada.

Familiares da vítima forma ouvidos pela polícia e informaram que ele também trabalhava em uma rádio autônoma no Paraguai. “Ninguém da família tem informações a respeito da morte ou sabe dizer o que poderia ter provocado o crime. Também não relataram ameaça”, informou o delegado.

Ainda segundo Linares, foi instaurado um inquérito para investigar o caso e a polícia tem o prazo inicial de 30 dias para conclusão.