O corregedor nacional do Ministério Público, Alesandro Tramujas Assad, pediu ontem à noite que o procurador da República no Distrito Federal Valtan Timbó Mendes Furtado explique por que abriu um procedimento investigativo criminal para investigar Lula.

O procedimento, aberto semana passada, vai apurar a suposta prática de tráfico internacional de influência por Lula a favor da Odebrecht em países da América Latina e da África.

Assad autorizou apenas que prossiga na corregedoria a reclamação disciplinar de Lula contra o procurador. O outro pedido de Lula, para que o caso fosse arquivado, foi negado: a corregedoria, é claro, não tem ingerência sobre a atividade fim do Ministério Público.

Valtan provavelmente vai responder o que já disse em nota divulgada pelo Ministério Público no DF: ele instaurou o PIC porque estava cobrindo as férias da procuradora original do caso, Mirella de Carvalho Aguiar.

A propósito, ao instaurar a apuração, Assad determinou que fosse comunicada a existência deste novo caso aos procuradores envolvidos em outro pepino em torno de Valtan.

Em 3 de julho, a corregedoria instaurou um processo disciplinar contra Valtan por negligência por atraso em 245 casos sob sua responsabilidade no MPF.]

Esta, aliás, será a tese central dos advogados de Lula para atacar Valtan e encorpar a tese de que o ex-presidente é perseguido: por que um procurador processado por suposta negligência em 245 casos foi tão diligente num caso que nem dele era?

Por Lauro Jardim / Veja