Em Dourados, a 214 km de Campo Grande, o Ministério Público pediu à Vara da Infância e Juventude para que autorize, e de forma rápida, a adoção de indígenas por famílias não índias. A sugestão é considerada inédita em Mato Grosso do Sul.

As crianças e adolescentes estão passando tempo demais nas casas de acolhimento, ultrapassando o tempo tolerado que é de dois anos. De acordo com o assessor jurídico da Vara da Infância e Juventude, Robson Moraes dos Santos, a adoção não acontece de uma hora para outra.

Atualmente, em Dourados existem quatro lares de acolhimento para crianças e adolescentes com um total de 62 acolhidos, destes 33% são indígenas. Muitas delas chegam nas unidades depois de passar por problemas familiares. Segundo a diretora do lar, Mônica Marin, algumas chegam machucadas, outras sofrem principalmente por problemas relacionados à dependência dos pais por álcool e droga.

As crianças deixadas nas casas de acolhimento aguardam a reestruturação da família ou vão para a fila de adoção. Por lei, as famílias indígenas têm prioridade. Segundo a antropóloga Beatriz Landa, é recomendado até ir para uma família da mesma etnia, assim elas sofrem menos, porque em famílias ‘comuns’ elas terão que se readaptar.

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