O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou nesta terça-feira que o governo fará novos cortes de gastos e disse que uma eventual mudança na meta de superávit primário deste ano não representaria o fim do ajuste fiscal. “O governo tem plena consciência que eventualmente mudar a meta não significa o fim do ajuste. Pelo contrário, significa que você tem que continuar fazendo o ajuste”, afirmou o ministro a jornalistas.

Nesta quarta-feira, o governo divulga o Relatório de Receitas e Despesas e poderá anunciar a redução da meta de superávit primário deste ano, de 66,3 bilhões de reais, equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Levy disse que o governo está analisando as informações disponíveis e que vai tomar medidas para conduzir a política econômica com “vigor e realismo”. “O relatório vai refletir a realidade. Tem que fazer um trabalhinho de contingenciamento e fazer o que tiver que fazer sem drama. Talvez tenha que cortar um pouquinho de despesas”, disse.

Uma fonte da equipe econômica disse à Reuters que o governo estuda novo bloqueio adicional de gasto entre 8 bilhões e 15 bilhões de reais, mas que, mesmo assim, o cumprimento da meta de 1,1% do PIB pode não estar assegurado.

O corte adicional está sob a mesa após o governo ter anunciado contingenciamento de verbas do Orçamento de 69,9 bilhões de reais em maio. Na época, o governo chegou a estudar bloquear mais de 80 bilhões de reais do Orçamento. “A situação não está tranquila”, disse Levy.

Com a arrecadação em queda por uma economia debilitada e gastos em nível elevado, o governo enfrenta grande dificuldade em cumprir o alvo fiscal no ano. Em 12 meses encerrados em maio, o setor público registrou déficit primário de 0,68% do PIB.

Na busca por melhorar o resultado primário, o ministro citou algumas fontes de receita extra apontando o projeto de regularização de ativos não declarados de brasileiros no exterior, a possibilidade de um programa de recuperação de créditos tributários e ainda a operação de abertura de capital do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

(Veja com Reuters)