A Guarda Municipal iniciou, nesta segunda-feira (23), treinamento para atuar no policiamento ostensivo com armas não letais, em Campo Grande. Grupo de 235 guardas municipais integram cinco equipes que devem estar nas ruas a partir da segunda quinzena de março. Mesmo que não vinculado, o processo antecede capacitação para uso de armas de fogo.

O secretário municipal de Segurança Pública, Valério Azambuja, afirmou ser este o primeiro passo no preparo da corporação para o combate a violência na Capital e reforço na segurança das próprias equipes.

Com carga horária de 20 horas, os agentes serão capacitados pela Polícia Militar no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças). Inicialmente o processo abrange uso de armas não letais como spray de pimenta, cassetete e armas de choque, sendo ainda antecessor as avaliações psicotécnicas e funcionais para posterior treinamento de porte de arma de fogo. A expectativa é de que ao menos 900 dos 1,3 mil guardas municipais passem por ambos os processos até o final do ano.

Azambuja esclarece que nem todos os guardas irão utilizar armas, uma vez que a proposta é de que em cada equipe de quatro um esteja armado para garantir a segurança dos demais. O porte, ao contrário do que ocorre com policiais militares, não será individual e sim coletivo com o armamento armazenado nas bases operacionais da corporação.

Para o prefeito Gilmar Olarte (PP), o objetivo “não é dividir nem centralizar o combate a violência, mas somar com as polícias Militar e Civil para garantir a proteção do cidadão”. Na solenidade hoje também esteve presente o comandante geral da Polícia Militar, coronel Deusdete Oliveira.

Somente no período de Carnaval, em conjunto com policiais militares, os agentes abordaram 203 pessoas e encaminharam 14 para delegacias de Campo Grande, a maioria após brigas em eventos promovidos no município.

Controvérsia – Um dos pontos controversos sobre a atuação da Guarda Municipal continua sendo o trânsito, embora convênio com o Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito) permita aplicação de multas no âmbito estadual e municipal.

Emissão de alto número de multas criou controvérsia, em janeiro, entre os agentes e a Polícia Militar, após Valério Azambuja justificar o fato “ao quase completo abandono a que a fiscalização de trânsito foi submetida pelo órgão de policiamento militar, no ano passado”.

A declaração foi rejeitada pela Associação dos Oficiais Militares de Mato Grosso do Sul, que protocolou interpelação judicial pedindo esclarecimentos do secretário.

Campo Grande News