O ex-coordenador do Fundo de Investimento Culturais (FIC) foi preso na operação “Fantoche”, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quarta-feira (4) em Mato Grosso do Sul. Afirmação é do secretário estadual de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação e diretor-presidente da Fundação de Cultura do estado (FCMS), Athayde Nery.

A operação é resultado de seis meses de investigação, em apoio à 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, sobre fraudes na aprovação de projetos direcionados à obtenção de verbas públicas por meio do FIC entre 2013 e 2014.

Segundo Nery, o ex-coordenador, que é servidor efetivo, assumiu a função no segundo semestre de 2014 e ficou por três meses, saindo com o início da nova gestão do Executivo sul-mato-grossense. A pedido do Gaeco, de acordo com o secretário, o servidor será afastado das atividades e uma sindicância será aberta.
Nery classificou a ação como “lamentável”, disse que não terá mudança na rotina da fundação e que haverá mais “transparência para a obtenção de recursos”.

“Houve obtenção de recurso e não realização de projeto. Se não foi realizado projeto, esse recurso foi usado para outro fim”, explicou o secretário sobre a apuração do Gaeco.
De acordo com Nery, o FIC tem R$ 5 milhões para serem usados por ano. No entanto, ele disse que não sabe o montante em apuração pelo Gaeco.
Sobre os outros quatro mandados de prisão, o secretário declarou que não são de servidores do órgão.
Fantoche
Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão. Além disso, o objetivo era cumprir ordem de afastamento de um servidor público de suas funções junto à FCMS.
A operação é feita em Campo Grande, Corguinho, Ponta Porã, Bodoquena, Angélica e Aquidauana. Segundo o MPE, as buscas estão sendo cumpridas em residências e sedes de pessoas jurídicas suspeitas de aplicação indevida de verbas obtidas por meio dos convênios do FIC, além da sede da FCMS, que fica no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho, na capital sul-mato-grossense.

Segundo a assessoria de imprensa da FCMS, os trabalhos do Gaeco na sede do órgão estão concentrados no sexto andar do Memorial da Cultura, onde fica a coordenação do FIC.
Nery, chegou ao órgão depois do Gaeco e disse que documentos e processos estão sendo disponibilizados para que sejam “devidamente esclarecidas as dúvidas”. Nery afirmou ainda que já havia uma “indicação de que estava havendo diligências” anteriores.

Participam da operação quatro promotores de Justiça e 28 policiais militares integrantes do Gaeco. A busca na sede da Fundação de Cultura é acompanhada por um representante da Procuradoria do Estado.

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