Oito estudantes do curso de Medicina da UFGD viveram uma experiência decisiva para sua vida profissional e pessoal, participando do Projeto Rondon. Ao abrir mão de duas semanas de férias para realizar palestras informativas para a população do município de Monção, no estado do Maranhão, esses jovens entraram em contato com outra realidade social.

“O lema do Projeto é ‘uma lição de vida e cidadania’. Não vejo melhor maneira de definir essa experiência”, afirma o estudante Vinícius Andrade, do 5º ano de Medicina. O estudante é campo-grandense e foi surpreendido negativamente pelas condições da população do município onde trabalhou. Conforme Vinícius, a cidade não tem saneamento básico nem asfalto, muitas regiões têm esgoto a céu aberto, a coleta de lixo é ineficiente e a sujeira se acumula, promovendo uma infestação de insetos e ratos.

Para o acadêmico, participar do Rondon possibilitou novos paradigmas como cidadão. “É revoltante, como cidadão brasileiro, ver a negligência da classe política e as condições de vida da população. A cidade de Monção tem mais de 100 anos, mas é muito carente de políticas públicas”, diz Vinícius.

Ele conta que há acesso a escola e que há um hospital estadual novo e em boas condições de funcionamento. Porém, a falta de conhecimento da população gera péssimas condições de higiene e de cuidados com a saúde, favorecendo diversas doenças e até mesmo uma grande quantidade de pessoas dependentes de álcool e drogas.

Os alunos da UFGD foram orientados pelos professores Sebastião Martins de Souza Neto e Silvana Beutinger Marchioro. De acordo com Silvana, além de permitir que estudantes coloquem em prática conceitos e aprendizagens vistos em sala de aula, o Projeto Rondon possibilita conhecer uma realidade totalmente distinta. “O projeto contribui com a formação como cidadão, estimulando estudantes a desenvolver um maior senso de responsabilidade social voltado aos interesses coletivos de comunidades menos favorecidas”, analisa a docente.

“Conviver com a extrema desigualdade social nos faz ver pela perspectiva daquele cidadão que passa toda sua vida em condição de pobreza, de miséria. Sabendo que existe essa realidade, você se sensibiliza com essa população. Por ser aluno do 5º ano, sou interno no Hospital Universitário e posso dizer que, depois dessa experiência, tenho um olhar diferente para o paciente. Quem procura atendimento em saúde espera não apenas um diagnóstico, mas a atenção e o cuidado do médico”, conclui Vinícius.

Participaram da Operação Jenipapo do Projeto Rondon os estudantes de Medicina Camila Koike, Fabiano Fugita, Vinicius Andrade, Winnie Mariana Beilner, Caroline Viegas, Luis Eduardo Ormonde, Maiara  Silva, e Renato Cazanti. Durante as duas semanas de atividades, o grupo desenvolveu e ministrou oficinas para gestores e trabalhadores da área da saúde, para jovens, crianças e população em geral.

Estudantes e docentes que tenham interesse em participar do Rondon podem buscar informações no site http://projetorondon.pagina-oficial.com/portal/. Em março acontecerá uma nova seleção de projetos enviados pelas universidades.

Diário MS