Denúncias de corrupção em todas as esferas de poder, insatisfação com a política econômica, impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), são estas as principais reclamações dos campo-grandenses que foram às ruas na tarde deste domingo (15). Atos semelhantes acontecem em diversas cidades do país.

“Nós esperávamos 60 mil pessoas, mas já fugiu do controle. Não temos mais contabilizar”, afirmou uma das organizadoras do protesto, Karina Maia, segundo ela mais de 100 mil pessoas compareceram ao manifesto. Dois aviões de pequeno porte sobrevoaram a Avenida Afono Pena durante a caminhada dos manifestantes.

Já a Polícia Militar estima um número bem menor, porém significativo. “Aproximadamente 30 mil pessoas. São 15 quarteirões de um protesto ordeiro e com muitas famílias”, frisou o coronel Ovelar, da PM.

Três trios elétricos conduziram os campo-grandenses que manifestaram na tarde deste domingo, centenas de motocicletas e bicicletas e milhares de pessoas, de todas as idades, transitaram livremente pela Avenida Afonsa Pena, da Praça do Rádio Clube até a Cidade do Natal.

Acompanhado do filho adolescente, o cadeirante Ciliomar Loro, contabilista de 44 anos, espera que os manifestos resultem em melhorias para o país. “O momento é muito proveitoso. Nos protestos de 2013 o Brasil estava muito dividido, hoje até quem votou na Dilma está insatisfeito”, contou ele. Questionado até onde iria na caminhada, Ciliomar respondeu. “Até onde meu filho aguentar”.

Para o médico cardiologista Délcio Gonçalves, que levou a filha de 13 anos ao protesto, não é o impeachment da presidente Dilma que vai resolver as coisas no Brasil.

“Estou apoiando o movimento por uma país mais honesto e com serviços de mais qualidade, onde os políticos trabalham para o população e não por si mesmo. Para que as leis sejam cumpridas e não ajustada por conveniência”, afirmou Délcio.

Acompanhada do marido, a ciclista Cláudia Maria Oliveira, lembrou que a transformação do país passa pela mudança de cada um. “Todo mundo reclama de congestionamento, mas ninguém larga o carro em casa para andar de bicicleta. Não dá só para reclamar do governo e não mudar em casa”, disparou ela.

Influência Maçônica

Um grupo de maçons chamou a atenção no protesto pela forma como compareceram ao protesto, de terno e gravata. No discurso, clamores de mudanças para um ‘Brasil melhor’.

“A maçonaria faz parte do povo, e por isso também quer acabar com a corrupção, com os desmandos e com a roubalheira do atual governo. Espero que o atual governo, vendo essa manifestação, mude os caminhos que está tomando”, afirmou Denilo Allegretti, grão-mestre da loja Grande Oriente do Brasil MS.

Pelo menos 200 maçons acompanharam a caminhada do protesto. “A maçonaria, em momentos anteriores, ajudou em muitos movimentos políticos. Mas, durante muito tempo também, inclusive após a ditadura, permaneceu calada e deixou que o povo tomasse seu rumo, sem nossa influência. Mas, tendo em vista o colapso econômico enfrentado pelo país, a maçonaria pode ser uma força de auxilio para ajudar a mudar a realidade do Brasil”, explicou Rodrigo Alves, maçom, 33 anos.

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