O apetite fiscal do governo Dilma (PT) prejudica várias categorias de trabalhadores. Exemplo disso é o que ocorre com caminhoneiros que acusam perdas com os aumentos nos preços do diesel e do pedágio. Para mostrar a sua indignação, sindicatos e motoristas se mobilizam e protestaram ontem em várias regiões do país. No Paraná, a manifestação ganhou fôlego com novos bloqueios em Céu Azul, Guarapuava e Cascavel. Com informações d’O Paraná.

“Não tem jeito, decidi reforçar a mobilização dos caminhoneiros. Ninguém percebe o drama que estamos vivendo. Por isso, o único jeito é tentar parar o Brasil”, desabafou Sergio Silva, 12 anos de boleia, que decidiu parar o caminhão no fim da tarde na BR-277. Nos últimos anos, Silva viu seu lucro minguar com os crescentes gastos dos combustíveis, tarifas de pedágio e com a manutenção do caminhão. Ele afirma que se soubesse fazer outra coisa, pensaria em trocar de profissão. “Minha vida é aqui. A boleia é como a minha casa”, afirma.

“Em determinadas épocas do ano, pagamos para trabalhar. Desse jeito fica difícil”, completa Sérgio Silva. O motorista diz que o governo federal precisa ser mais sensível às grandes causas do País do que pensar menos em interesses puramente partidários e de pequenos grupos. “Até que as coisas forem desse modo, a esperança de dias melhores é pequena”.

Km rodado – O protesto dos caminhoneiros começou há uma semana na região da ponte sobre o rio Iguaçu, entre Capitão Leônidas Marques e Realeza. Nesta semana, estendeu-se a Medianeira e ontem ganhou a adesão de novos profissionais em Céu Azul, Guarapuava e Cascavel, esses últimos com bloqueios na BR-277. A tática é a mesma. Só podem seguir viagem carros de passeio, ônibus, ambulâncias e caminhões com cargas vivas. A exceção é Santo Antonio do Sudoeste, onde o bloqueio é total.

Os profissionais do volante têm como principal reivindicação a mudança na cobrança do frete. Em vez de tonelagem e carga fechada, como ocorre hoje, querem que o modelo mude para quilômetro rodado. “Com o preço dos combustíveis e do pedágio nas alturas, simplesmente estamos pagando para trabalhar”, diz um dos líderes das manifestações que ocorrem no Paraná, Idair Parizotto, de Francisco Beltrão.

Os custos são cada vez mais elevados e muitos percebem que não vale a pena correr tantos riscos, afirma o presidente do Sindicam, Jeová Pereira. Com o quilômetro rodado, a expectativa dos caminhoneiros é de minimizar os efeitos da sazonalidade e garantir mais equilíbrio financeiro à atividade. “Se não for assim, fica difícil manter o caminhão rodando em estradas mal conservadas, sem a adequada sinalização e por tantos dias distante da família”, conforme Jeová. Há protestos também em outras regiões, a exemplo do interior de Santa Catarina.

Fonte: César Galeano Repórter