Mesmo durante o recesso parlamentar, alguns vereadores de Campo Grande já começaram a articular o que chamam de “CPI do buraco” ou “CPI das obras”. Isso depois da publicação de um vídeo no qual funcionários de uma empreiteira, contratada pela Prefeitura, são vistos tapando ‘falsos buracos’ em uma rua do Jardim Veraneiro, proximidades do Parque dos Poderes.

Até agora, pelo menos Chiquinho Telles (PSD) e Luiza Ribeiro (PPS) querem uma solução em relação às denúncias de irregularidades nas operações de tapa-buraco e nas obras públicas em Campo Grande. Para isso, a articulação da abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) começará já na volta das sessões, na próxima semana.

O vereador explica que é preciso tomar providências, visto que o problema é recorrente. “Vamos mudar algumas atitudes que tiveram a vida inteira em outras administrações. Isso sempre existiu, mas o povo está mais fiscalizador. São gastos R$ 13 milhões por mês e quem fiscaliza? Vamos mexer em uma caixa de marimbondo. Isso é um câncer e ao mesmo tempo uma licitação que todo mundo quer, porque é uma mina de ouro”, justifica.

O vereador entende que precisaria, no mínimo, de uma quebra de contrato, forma de lição para o que classifica como picaretagem. “A Câmara não tem que estar ao lado de prefeito A ou B, mas do lado da cidade. Já tentei abrir CPI na Câmara e não consegui. Temos que rever isso e dar uma resposta para sociedade”, conclui.

A vereadora Luiza Ribeiro (PPS) também quer propor CPI, mas com alcance maior. Ela conta que tem recebido várias denúncias por meio de rede social, bem como pela imprensa, que frequentemente denuncia irregularidades. Diante de tantos problemas, ela propõe uma CPI das Obras em Campo Grande.

A vereadora também quer investigar o monopólio de João Amorin sobre os contratos de obras em Campo Grande, porque estes acordos são majorados sem justificativa ou licitação e porque fazem pagamentos sem serviço realizado. “Isso é muito mais grave do que dizer que a empresa fez um simples erro. É importante passar a limpo este esquema que já vem de outras gestões”, concluiu.

Dificuldade

A avaliação do líder do PMDB – partido com maior número de vereadores na Câmara, com sete representantes –, Vanderlei Cabeludo, sobre a possível abertura de uma CPI, já demonstra que os colegas não devem ter tanta facilidade. Indagado se assina um pedido de CPI, o peemedebista diz que “tem que analisar bem certinho, porque não adianta falar por falar”.

Cabeludo diz que ainda não viu o vídeo no qual funcionário gasta material em rua que não tem buraco, mas diz que na gestão de Alcides Bernal (PP) fez denúncia destas irregularidades. “Fiz uma denúncia na época do Bernal, com filmagem e tudo. É um absurdo. Tem empresas que são profissionais em fazer isso. Todos são culpados. A partir do momento que o prefeito sabe tem que ser rígido e punir quem é culpado”, avaliou.

O presidente da Comissão de Obras da Câmara, Alceu Bueno (PSL), afirma que os vereadores vão tomar providência, fazendo primeiramente uma reunião da comissão. Ele pretende convocar as empresas contratadas e até o Secretário de Obras, Waltemir Britto.

Todavia, quando questionado se assina para abertura da CPI, diz que tem que avaliar a necessidade de abrir. Ele entende que uma audiência pública ou convocação já poderia resolver.

O Caso

Um vídeo feito em frente a um condomínio de luxo, na região do Parque dos Poderes, confirma a irregularidade, enquanto o Município, sem informar o nome da empresa responsável pelo problema, informa que a corda arrebentou do lado mais fraco: os operários foram demitidos.

A situação foi flagrada na quinta-feira (22) – e divulgada na terça-feira (27) – por câmeras de vídeo de um condomínio de luxo no Parque dos Poderes. Nas imagens, é possível ver o momento em que operários descem do caminhão e aplicam massa asfáltica no meio da rua sem buraco.

Prefeitura e empreiteira

Enquanto o caso dos ‘buracos fantasmas’ ganham a mídia nacional, a Prefeitura de Campo Grande tem sido evasiva na explicação dos casos. A empresa responsável pelo serviço irregular é a Selco Engenharia, que ainda não se manifestou oficialmente a respeito.

O secretário municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, Valtemir Brito, é outro que está sumido desde a publicação do vídeo. Não atende os telefonemas da reportagem e falou apenas por meio de assessores, dizendo que uma nota oficial seria publicada ainda na quarta-feira (27), o que não se confirmou até o momento.

Na tarde de quarta-feira (27), em evento público, o prefeito, Gilmar Olarte (PP), mostrou estar desinformado sobre os problemas em sua administração. “Se houver fato comprovado, vamos tomar providências”, limitou-se a dizer.

midiamax