A AGU (Advocacia Geral da União) solicitou na justiça a liberação das rodovias federais ocupadas por manifestantes desde segunda-feira, dia 23 em sete Estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul. A justificativa dada pela advocacia para o fim dos protestos é o risco de acidentes que o acumulo de caminhões parados nas margens da rodovia podem causar, e também impedem o trabalho de quem precisa utilizar as estradas, além dos prejuízos econômicos que podem ser causados com as cargas perecíveis e perigosas que precisam chegar ao destino.

As ações foram ajuizadas juntamente em todos os Estados onde ocorrem os protestos: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Até o fechamento desta edição, a justiça mineira e a catarinense haviam determinado o fim do bloqueio nas rodovias nestes Estados. Em MS, ainda não havia qualquer decisão judicial com base no pedido da advocacia.

Segundo a PRF, os pontos interditados no Estado são: BR-163 km 614 em São Gabriel do Oeste; BR-163 Km 465 na rotatória saída para Dourados em Campo Grande; BR-163 Km 256 no trevo de acesso ao sul do Estado em Dourados; BR-163 Km 271 no trevo de acesso a penitenciária em Dourados; BR-463 Km 07 em Ponta Porã; BR-262 Km 320 no trevo de acesso a penitenciária estadual em Campo Grande.

A AGU pede autorização para o poder público adotar medidas necessárias para garantir a circulação nas pistas e a fixação de multa de R$ 100 mil para cada hora que os manifestantes se recusarem a liberar o tráfego.

Os caminhoneiros estão esperando uma posição do governo para que as principais dificuldades hoje encontradas pelos motoristas, como alta do diesel e preço dos fretes possam ser solucionadas. No Estado, os manifestantes pedem também a diminuição do ICMS, de 17% para 12%. Desde a manhã de segunda-feira, em Dourados, os motoristas, representantes sindicais e empresários do setor de transportes estão na BR-163 fechando o fluxo de veículos, nos trevos que dão acesso ao centro da cidade e a outros municípios da região. A manifestação acontece também em mais sete estados do país.

De acordo com o presidente do Sindtransp (Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários) de Dourados, André Pagani, nada de oficial vindo do governo e da justiça foi repassado aos manifestantes, mas ele diz que espera não vai prolongar por muito tempo para que chegue algum posicionamento. “Não vai demorar muito e irá começar a faltar combustível nos postos, já que os caminhões estão parados aqui, e não só combustível, o abastecimento de produtos em outros setores também serão prejudicados”, afirma o presidente.

O protesto que havia ocorrido durante toda a segunda-feira, foi retomado na manhã e ontem e seguiu até as 18h na BR-163. Até o fechamento desta edição, a previsão é de a manifestação seria retomada na manhã de hoje.

Parte do acesso a Caarapó, Ponta Porã e Campo Grande estavam fechados. Só era permitida a passagem de veículos com cargas vivas e caminhões vindos de lavouras, além de ambulâncias e carros de passeio. Na parte da tarde, no mesmo dia, o trecho que liga Dourados a Fátima do Sul também foi interditada pelos caminhoneiros. (Rafael Henrique, de Dourados)

ÀS MOSCAS

Posto de gasolina localizado às margens da BR-163 em Dourados e costumava ficar movimentado com abastecimento principalmente de viajantes, sejam de carros ou caminhões, está ficando vazio devido à proximidade com o protesto que bloqueia a rodovia. Na área central da cidade, onde a movimentação de carros e motos abastecendo continua, a preocupação é com a possibilidade de faltar combustível como já aconteceu em outros Estados brasileiros. Como os caminhões que transportam gasolina, álcool e diesel também estão parados, se o protesto se delongar é possível que haja escassez. No Paraná isso já acontecia ontem, a pouca gasolina que sobrou era vendida a R$ 5 nos postos.

DiarioMS